terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Kombucha




Uma bruxa
é uma ferida aberta.
Há dias em que um excesso de metáforas
põe o dedo na ferida aberta:
um empurrão
para a fogueira a arder.

Uma bruxa
é uma espécie invasora
convidada a entrar na casa
em estado livre
e breve se agarra
ao tecto como um bolor
que alastra cálido.

Uma bruxa
pode até ser uma kombucha
retrai-se se tocada sem cautela
não sendo propriamente um animal
nas feridas abertas
é tal e qual.

Uma bruxa
é um veneno involuntário
que ninguém deseja beber ou cheirar,
inquina tudo à volta
e só um perímetro de segurança
de vários quilómetros
ou um excesso de metáforas
nos poderá salvar.

Uma bruxa
é carne para canhão
sempre que é preciso atear o lume
quando há visitas e festas
porque há quem jure serem
as feridas abertas o melhor carvão
a condimentar a carne
que assa.


Uma bruxa
é uma despedida anunciada,
uma morte crónica pressentida
ao virar da esquina
talvez por alergia
porque até há quem afirme
que um excesso de metáforas
também não passa
de um bolor cálido, afinal.


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