terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Poema de Joaquim Marques

Um Grito

Do silêncio se faz um grito
o corpo todo me dói
deixai-me chorar um pouco
aqui me falta uma luz
aqui me falta uma estrela.

Há sempre uma companheira
uma profunda amargura,
ai solidão,
ai quem fora escorpião
que te mordera a cabeça a Deus,
já foi para além da vida
e o que fui já não sou.
O mundo já me esqueceu,
sombra triste
encostado a uma parede.
Ó Deus, vida que tanto duras
Ó morte que tanto tardas
Ai solidão quase loucura.


Joaquim Marques (1920-2018)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

DANOS MAIORES, O LANÇAMENTO








Programa FEIO - 2018 - sábado, dia 15/12/2018.
14h30 – Abertura
15h00 – Álvaro Laborinho Lúcio / Cristina Maria Ovídio Baptista.
15h20 – *Apresentação de livros: Poemanifesto 2.0.18 – João Pedro Azul(org)/ João Silveira.
15h40 – Luis O Brito.
15h50 – Hugo Mezena.
16h00 – Pedro Proença.
16h10 – Andrea Zamorano.
16h20 – Rita Taborda Duarte.
16h30 – *Apresentação de livros: Danos Maiores de Ana Marques.
17h00 – Fernando Pinto do Amaral (Fernando PA).
17h20 – Valério Romão.
17h30 – Paulo José Miranda.
17h40 – João Paulo Cotrim.
18h00 – José Gardeazabal.
18h10 – Nelson Nunes.
18h20 – Patricia Portela.
18h30 – Joana Bértholo.
18h50 – *Apresentação de livros: Tenham Uma Boa Vida de Francisco Resende (apresentação também da “Colecção Crateras”, promovida pela EC.ON).
19h20 – Encerramento.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Séneca senão Seixas









Séneca senão
Seixas
Séneca sacando a cruz
contra o espírito hesitante
o que existe sem ritmo próprio
o que se retrai em casa
expandindo-se na rua

Séneca denunciando a vida
como um jogo ilícito
a farsa da variedade de atitudes
e terás de querer e não querer
sempre a mesma coisa
ó projecto de sábio

Seixas senão
Séneca
Seixas cancela a cruz
que prega o homem
à sua identidade

Seixas constrói
as próprias histórias
diariamente se instila
no ambulatório da metamorfose
uma estrela amanhã brilha
e hoje se apaga

É tão chato ter aquela velha
opinião formada sobre tudo
sobretudo sobre o Amor
e sobre tudo tudo tudo

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Barbi Presa

Pintura de Félix Labisse



Uma Barbi presa
nas fotos montra
à  vigilância do vício
a imagem encosta
presa fácil
uma Barbi presta
ao encontro do Mestre
dedicada monta



Uma fé sem freio
a nascer de baixo
apontando à foto
da medida plástica
o fetichista empresta
o domínio pronto
disposta ao mundo
uma Barbi aberta


A fé manifesta
no derrame do esperma
o fetichista ao leme
na luta de espera
as imagens caindo
são farpas de esperança
cobrindo as fotos
da Barbi fera