sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Júlia possui uma arma




Um cano
de revólver fareja
açulado cada recanto
no silêncio insano
do gabinete

um cano
de revólver ausculta
imparável os sinais
vitais do corpo
a abater

um cano
de revólver ordena
ao cão o cumprimento
da imperiosa
missão


grita ao alvo
o peito explode

um cano
de revólver fumega
saboreia o pós-acto
deitado no conforto
da alcatifa

um cano
de revólver alegará
demência temporária
já se vê triunfante
inocentado






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