domingo, 6 de dezembro de 2020

Amanhã escrevo um poema

 

Foto de Terayama Shuji


 

Dói-me a cabeça.

A casa não se aspira sozinha.

Juntaram Shakespeare ao filme.

O miúdo tem febre.

A vizinha pede salsa.

O planeta espera-me no vidrão.

O Amor dá sinal.

O trabalho atropela-me.

Intervalo para o relatório da calamidade mundial.

Os olhos do cão pedem rua.

Cheira a urgência na caixa de areia dos gatos.

O telemóvel grita uma discussão inadiável.

O louco do bairro revolta-se no centro da avenida.

Cai a Net.

O Sol vem desafiar-me à janela.

O silêncio da guitarra toca-me.

Já comia qualquer coisa.

Não sou capaz.

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