Há-de-me ser leve
ir morrer longe.
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
O Tempo
Sand Glass Greeting Card by
Michal Boubin
|
O tempo passa.
O tempo corre.
O tempo voa.
O tempo nunca morre.
O tempo não perdoa.
Por entre os sonhos escorre.
O tempo não pára.
O tempo não volta p'ra trás.
Por vezes até dispara,
parece um capataz.
O tempo tudo cura.
O tempo tudo corrói.
O tempo também depura
e por vezes reconstrói.
O tempo castiga.
O tempo é dinheiro
O tempo nunca desliga.
O tempo é bom conselheiro.
O tempo por vezes urge
como uma bomba-relógio.
Parece um leão que ruge.
O tempo é da morte o presságio.
O tempo é insondável,
cavalga como animal
O tempo é uma doença incurável.
O tempo é sempre fatal.
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
ameaça
esta ameaça
um longo rastilho a arder
espreito pelo buraco da fechadura
a cortina é vermelha
o piano mecânico é selvagem
as rosas são falsas
há uma ventoinha elétrica
parada
espreito demasiado perto
dentro
intolerável a ameaça
essa visão de um fantasma
entaipado
impotente
como perna
que se transforma numa montanha
e nunca vai a Maomé
espreito a solidão
não há maior ameaça
terça-feira, 17 de novembro de 2015
homem dado
cavalo dado
dente postiço
cavalo suado
pequeno toutiço
cavalo cambado
carapau de corrida
chanfro manchado
badona escondida
bucéfalo das contas
ponéi em pontas
as palavras
algumas
acordam-me de manhã
irritantes
como um despertador
outras
adormecem-me
baladas ao ouvido
na cama
pelo dia dentro
aparecem
fintando-me
raramente
apanho uma ou outra
ainda
não sei
se gostam de mim
eu gosto delas
acordam-me de manhã
irritantes
como um despertador
outras
adormecem-me
baladas ao ouvido
na cama
pelo dia dentro
aparecem
fintando-me
raramente
apanho uma ou outra
ainda
não sei
se gostam de mim
eu gosto delas
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
tapete
alguém
enrolado
à entrada da tua porta
faz tempo
feito tapete canino
entras
sais
sem um olhar
um olá
sei de cães à corrente
que recebem mais
compaixão
na malga vazia
de água
passas
sem olhar
sem sentir
um longo uivo
de lobo
no fojo
atónito
ninguém
enrolado
espreguiça-se
e volta a dormir
encolhido
animais humanos
quando o apêndice rebenta
espalhando a flôr carnívora
no peritoneu
cabelos pernas
botas
polegar oponível
armas automáticas
a flôr carnívora a bater
no peito
gritos de aço
aço puro
carnívoro
sólido
braços
luz-escuridão
pernas
velocidade
a flor carnívora a desabrochar
no peritoneu
às golfadas
um rastro de sangue na estrada
animais humanos
em fuga
a flor carnívora
a correr no peito
num mar de mortos
o medo a boiar
na gente
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
olhos de sangue
o teu silêncio
não é inocente
tem mãos nodosas
olhos de sangue
olhos de sangue
olhos de silêncio
mãos de sangue
o teu silêncio
tem olhos de sangue
olhos de sangue
mãos de silêncio
passos cegos
o teu silêncio
tem mãos cegas
passos de sangue
olhos de silêncio
olhos de sangue
o teu silêncio
não é inocente
sibila toda a noite
ao meu ouvido
passos cegos
de sangue
olhos de sangue
de sangue
de silêncio
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
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