quinta-feira, 9 de novembro de 2017
PSEUDO-NAMORO
Bem-vindo, Benjamim,
às acácias floridas
do papel perfumado
do meu namoro.
O teu estranho caso,
não viu, ai não viu,
não viu Benjamim,
é conversa de botões.
Surgir perdido
entre morros de bairro
tão quente e gaiato
é motivo de espanto
bem forte e seguro,
para me distrair
em bailes de poesia falada.
Tua pele macia, Benjamim,
era sumaúma,
cheirando a rosas,
tua pele macia:
rosas escondidas no meu regaço.
O teu sorriso
brincando de artista luminoso
na fímbria de um Novembro
tão rijo e tão doce
de joelhos no chão.
Mandei-te um recado ou dois,
já eram mais de sete,
quem diria,
Benjamim,
que dobrado o primeiro NÃO
pela tua mão seria.
Procuraram por mim
as moças mais lindas
e eu lá estava num canto a rir
vendo um Napoleão
em toda a parte.
Levei ao rei Xerxes,
guerreiro de fama
a marca do pau que a tua fé deixou
para que fizesse um feitiço
espalhando diamantes
dando calor aos sumo das mangas.
Tocámos a rumba, Benjamim,
dançámos na sala
e a estrela riscando o céu,
quando sobre o asfalto
atravessei a cidade,
quem a viu fui eu.
Olhei-te nos olhos,
sorriste para mim:
Deus nos livre de sucumbir
às semelhanças irreconciliáveis,
Benjamim,
Dobremos o SIM.
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
Poema Perverso
![]() |
| Reclining female nude by Egon Schiele |
Por vezes, por verso,
de assalto,
temos o avesso
do que está escrito.
Não temo a dulpa
estocada artística
de duas cabeças
condecoradas
ao leme,
à vez
singular
num barco
de alto aprumo.
Amar
é uma soma
de correntes
contramão
multiplicadas
num fio inconcreto,
linhas que se cruzam
desalgemadas.
quinta-feira, 2 de novembro de 2017
Bagagem
![]() |
| Beetle car, Brienna Pruce |
seguindo
sem hora
estrada a fora
o risco
sob o pneu
as entranhas
do poema
peixe por dentro
aberto
marca pacho
em ferida
pulsação
na curva da voz
peso pesado quase
a fazer voar
as oscilações
do volante
lavo versos
clandestinos
ocultos em maços
dos pacotes
da bagagem
silêncio sôfrego
montanhoso
que me protege
da condenação
pelo colectivo
de meretrizes
terça-feira, 31 de outubro de 2017
segunda-feira, 16 de outubro de 2017
JÚLIA POSSUI UMA ARMA
está enganada
a hora é certa
preces são
mundanas ameaças
vãs
quando as ausências
involuntárias
são catástrofes naturais
por decifrar
observações patológicas
destreinam a vista
para os melanomas undercover
e seres do outro mundo
longe de casa
saudosos
que só pretendem dizer olá
alguém vai ter de pagar
a corda parte
o tiro corre
mas a culpada
não estará em casa
sábado, 7 de outubro de 2017
memória futura
o tempo plantou-se à espreita nas palavras
e esperou que viesses
a língua depositou caligrafias na pele
decalque
para a memória futura do teu corpo
surpresa
na maré viva
do meu ventre
segunda-feira, 2 de outubro de 2017
Pessoas do passado, pessoas do futuro
Há dois tipos de pessoas, as do passado e as do futuro.
As pessoas do futuro são as que se transportam diariamente para o dia seguinte. Quando lá chegamos encontramo-las à nossa espera. Antecipam-se ao pensamento e, assim, por lá continuam a habitar.
As do passado não avançam. Fixam-se no dia em que as deixamos de ver. Para que as encontremos temos de nos lembrar delas. Ora, como bem sabemos, recordar é contra as forças da natureza, dá trabalho. Por vezes incomoda.
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