sexta-feira, 25 de março de 2016

sábado, 12 de março de 2016

POEMA DO OSSO


osso
ao longe o ruído
no chão fracturado
partido distante de mim
defeito a doer na carne
antes que o gesso
cure amanhã

quinta-feira, 10 de março de 2016

rock'un'roll




o mais perto
que cheguei do rock'un'roll
foi o mascar da chiclete

ou ser centrifugada
contra a parede
na dança
com o escocês de kilt

ou num sonho
com o Fish
desaguando 
em mim como aquário
in a warm wet circle
tartã e puro malte

segunda-feira, 7 de março de 2016

sexta-feira, 4 de março de 2016

Cemitério




cemitério
de semimortos
em cada parte
do mundo
histórias contadas
com números
lápides perdidas
que não arriscamos
a deixar partir

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Ó Artista




Ó artista, cheire ou não cheire
esse teu sorriso a esturro
vais tu, agora, ouvir-me,
que a verdade também é murro.

Se a mulher é como um livro
é preciso ser bem javardo
p'ra estraga-lo na leitura
a quem o faça: clausura!

Esses livros não têm dono,
sabe o homem decente,
não os há  em segunda mão,
são livres, independentes.

Tocas a guitarra, cantas,
p'ra mim soa a carrilhão,
as palmas que me mereces
é barulho de uma só mão.

Ao teu miserando canto
batipzaste de sinfonia.
Quem te disse provinciano
errou, é tudo misoginia.

Tens um contrato com o vento
para não te deixar prender.
Também ele quando violento
é incapaz de se arrepender.

Por último dou-te um adágio,
faz com ele o que quiseres:
mais vale um homem ser maricas
do que  agressor de mulheres.



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

revisitar o passado em...




uma memória sombria
como um campo minado
e eu com medo
de avançar a perna
de tropeçar em raízes
bolbos e bombas
enquistadas no tempo
para quê remexer a terra
e desenterrar os mortos
mesmo que os mortos estejam na moda
não passam de pesos
sem préstimo
regressar ao passado
é sempre perigo de vida
e eu com medo