com
uma faca
aguçada
escrevi
onde me doía
na carne
segunda-feira, 7 de março de 2016
sexta-feira, 4 de março de 2016
Cemitério
cemitério
de semimortos
em cada parte
do mundo
histórias contadas
com números
lápides perdidas
que não arriscamos
a deixar partir
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
Ó Artista
Ó artista, cheire ou não cheire
esse teu sorriso a esturro
vais tu, agora, ouvir-me,
que a verdade também é murro.
Se a mulher é como um livro
é preciso ser bem javardo
p'ra estraga-lo na leitura
a quem o faça: clausura!
Esses livros não têm dono,
sabe o homem decente,
não os há em segunda mão,
são livres, independentes.
Tocas a guitarra, cantas,
p'ra mim soa a carrilhão,
as palmas que me mereces
é barulho de uma só mão.
Ao teu miserando canto
batipzaste de sinfonia.
Quem te disse provinciano
errou, é tudo misoginia.
Tens um contrato com o vento
para não te deixar prender.
Também ele quando violento
é incapaz de se arrepender.
Por último dou-te um adágio,
faz com ele o que quiseres:
mais vale um homem ser maricas
do que agressor de mulheres.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
revisitar o passado em...
uma memória sombria
como um campo minado
e eu com medo
de avançar a perna
de tropeçar em raízes
bolbos e bombas
enquistadas no tempo
para quê remexer a terra
e desenterrar os mortos
mesmo que os mortos estejam na moda
não passam de pesos
sem préstimo
regressar ao passado
é sempre perigo de vida
e eu com medo
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
Pastéis de Belém
(qualquer semelhança com a letra de uma canção conhecida é pura blá blá blá...)
cheguei ao fundo da rua
com a cabeça na lua
não sei onde estacionei
é tão parda a Alemanha
a gulodice tamanha
e o almoço nunca mais vem
quero ir para a mesa
comer com a burguesa
uma salsicha na brasa
que a morte há-de ser certa
quero voltar
a lanchar nos Pastéis de Belém
quero voltar
a lanchar nos Pastéis de Belém
fiz um pouco de cera
que a preguiça é severa
voam pombas
de cansaço animal
fiz vinte anos de luta
na Holanda há tanta puta
festejei
com uma fenomenal
quero ir para a mesa
comer com a burguesa
uma salsicha na brasa
que a morte há-de ser certa
quero voltar
a lanchar nos Pastéis de Belém
quero voltar
a lanchar nos Pastéis de Belém
vim mais rápido que o vento
corrido lá do Convento
andava enrolado com a Madre
Paris está cheio de avecs
Lisboa cheia de queques
e em geral o mundo arde
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
mofo
se o poema a rimar é mofo
se o que escrevo revela a idade
mais depressa estico a pele
num cirurgião maneta
que deturpo e manipulo
o que me sai da caneta
domingo, 7 de fevereiro de 2016
A mulher do Oráculo de Delfos
Ele chegou a casa atrasado,
cansado de tanto trabalho,
tanta adivinhação,
problemas,
enigmas.
Encontrou com surpresa,
o quarto fechado
e na porta um papel:
AQUECE-TE A TI MESMO.
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