quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

vento divino

Salome, Rafal Olbinski para Strauss



Deponho decapitada
a teus pés
o pedaço da cabeça,
o caroço,
Salomé,
(o pescoço
não chora)
recebe o meu
suicídio benigno,
saboreia.
Não chores
(como se chorasses),
não dances
(como se dançasses),
não te canses.
Chegou ao fim
esse meu longo plano
kamikaze
inflamado p'lo tempo,
um vento divino,
que não havia meio
de aterrar,
mas planando no alto
foi cair no colo
do teu medo,
quando eu era
João,
voluntariamente.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

O Tempo

Sand Glass Greeting Card by Michal Boubin


O tempo passa.
O tempo corre.
O tempo voa.
O tempo nunca morre.
O tempo não perdoa.
Por entre os sonhos escorre.
O tempo não pára.
O tempo não volta p'ra trás.
Por vezes até dispara,
parece um capataz.
O tempo tudo cura.
O tempo tudo corrói.
O tempo também depura
e por vezes reconstrói.
O tempo castiga.
O tempo é dinheiro
O tempo nunca desliga.
O tempo é bom conselheiro.
O tempo por vezes urge
como uma bomba-relógio.
Parece um leão que ruge.
O tempo é da morte o presságio.
O tempo é insondável,
cavalga como animal
O tempo é uma doença incurável.
O tempo é sempre fatal.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

quinta-feira, 19 de novembro de 2015