terça-feira, 17 de novembro de 2015

homem dado




cavalo dado
dente postiço
cavalo suado
pequeno toutiço
cavalo cambado
carapau de corrida
chanfro manchado
badona escondida
bucéfalo das contas
ponéi em pontas


as palavras

algumas
acordam-me de manhã
irritantes
como um despertador
outras
adormecem-me
baladas ao ouvido
na cama
pelo dia dentro
aparecem
fintando-me
raramente
apanho uma ou outra
ainda
não sei
se gostam de mim
eu gosto delas

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

tapete

alguém
enrolado
à entrada da tua porta
faz tempo
feito tapete canino
entras
sais
sem um olhar
um olá
sei de cães à corrente
que recebem mais
compaixão
na malga vazia
de água
passas
sem olhar
sem sentir
um longo uivo
de lobo
no fojo
atónito

ninguém
enrolado
espreguiça-se
e volta a dormir
encolhido

animais humanos


quando o apêndice rebenta
espalhando a flôr carnívora
no peritoneu
cabelos pernas
botas
polegar oponível
armas automáticas
a flôr carnívora a bater
no peito
gritos de aço
aço puro
carnívoro
sólido
braços
luz-escuridão
pernas
velocidade
a flor carnívora a desabrochar
no peritoneu
às golfadas
um rastro de sangue na estrada
animais humanos
em fuga
a flor carnívora
a correr no peito

num mar de mortos
o medo a boiar
na gente



segunda-feira, 9 de novembro de 2015

olhos de sangue



o teu silêncio
não é inocente
tem mãos nodosas
olhos de sangue
olhos de sangue
olhos de silêncio
mãos de sangue
o teu silêncio
tem olhos de sangue
olhos de sangue
mãos de silêncio
passos cegos
o teu silêncio
tem mãos cegas
passos de sangue
olhos de silêncio
olhos de sangue
o teu silêncio
não é inocente
sibila toda a noite
ao meu ouvido
passos cegos
de sangue
olhos de sangue
de sangue
de silêncio












sexta-feira, 6 de novembro de 2015

quarta-feira, 28 de outubro de 2015