domingo, 27 de setembro de 2015

Carta de amor

Selei o envelope
com uma generosa dose
do meu ADN.

gatumanos




Naquele tempo o dia tinha apenas dois momentos, o nascer e o pôr-do-sol. O resto do Tempo estava parado.
Naquele tempo não havia rios tingidos de sangue nem mares atulhados de lixo.
Naquele tempo a vingança chegara em naves vindas de um ponto perdido doutra galáxia.
Naquele tempo tudo era feito de raiz sem excessos nem defeitos.
Naquele tempo o Rei do planeta cuidava da sua casa.
Naquele tempo a moeda de troca era a sabedoria.
Naquele tempo o Homem ajoelhava e os animais e plantas suspiravam de alívio.
Naquele tempo as armas era as palavras.
Naquele tempo as palavras picavam a carne como garras,
amarravam as mãos como cordas
armavam as bocas como balas.
Naquele tempo a morte era limpa, simples e implacável,
num único golpe de sangue silencioso.
Naquele tempo o Rei da Terra convidava o vento a entrar e a sair conforme as suas conveniências.
As trevas chamavam às trevas o que era das trevas.
A luz chamava à luz o que era da luz.
O esquecimento chamava ao esquecimento o que era do esquecimento.
Tudo era ordenado e conhecido. Mas não era conhecido do Homem.
Naquele tempo o Homem era um punhado de cinzas a arrefecer na noite.
Naquele tempo o fogo jamais poderia existir sem ser domado.
Naquele tempo o medo estava em vias de extinção.  A raiva tinha sido erradicada sem vacinas.
Naquele tempo o Tempo estava parado. Tinha desistido de atacar.










terça-feira, 22 de setembro de 2015

domingo, 20 de setembro de 2015

Milagres

Acredito em milagres. Milagres humanos, aqueles que são as pessoas a fazer. Sou capaz de esperar por um milagre a vida toda.

Ambição

Fui um dia acusada de falta de ambição. Era alguém que me conhecia mal ou entendia pouco do significado da palavra.

infantil

Sou um bocado infantil. Mas não sei se isso é mau ou bom. Vou pensar nisso depois de comer este chocolate.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015