quarta-feira, 5 de agosto de 2015

milagre



Tivesse eu sido uma madame Von Meck e talvez as coisas pudessem ter sido diferentes, que o dinheiro faz milagres por certas amizades. E neste caso só um  milagre.

sábado, 1 de agosto de 2015

diário

O asfalto. O traço descontínuo. O volante. A chave. O pires. A cadeira. O ecran. O telefone. O gargalo. O botão. A seringa. O papel. O toque. A luva. O manípulo. O volante. O traço descontínuo. A porta. A mesa. O talher. O pires. A chave. O volante. O traço descontínuo. O mosaico. O tapete. O auto-clave. A lâmpada. O som. A lâmina. A caixa. O teclado. O papel. O trinco. O volante. O manípulo. O traço descontínuo. O asfalto. A calçada. O degrau. A porta. A chave. A cadeira. O talher. A torneira. O pano. A escova. O lençol. O relógio.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Lua azul




Lua azul
não existes
não me assistes
a língua azul
essa doença de ovelhas
é real
e dura
língua, a flauta
dedos roxos
do destino
tocando balalaicas
russas
dentro das bonecas
russas
à noite
no cadeirão, o livro
cai aos pés
o sonho
as pálpebras fecham
a festa lá fora
multidão azul
música
uma pessoa
cada vez mais só
mais Lua
mais longe

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Abandonada



desliza na tenra 
e luzidia noite
abandona-te à escuridão
discreta e leve
cavalga a garupa
profunda e negra
não vás
no entanto
em modo clandestino
previne-te  
acautela-te
com o título
oficial do reino
contacta a tua freguesia
e desfruta