quinta-feira, 4 de junho de 2015
galinhas e pactos
Galinhas sem cabeça, patos
sem penas, gangrena,
são piteús, da lama
para mesa,
pactos clandestinos
compotas de gorgomilo
do burgesso em dia
de bródio.
Tuberculose com brócolos,
flutes de sangue
e salada.
De sobremesa
cuspo nos calos
e bagaço nos gilvazes.
Comece a sarabanda!
frases feitas
As coisas são como são. Essa é que é essa. Não vale a pena estar com paninhos quentes, tapar o sol com a peneira ou dourar a pílula. Há quem prefira enterrar a cabeça na areia mas eu sempre enfrentei o touro pelos cornos. Ou sim ou sopas!
As coisas são como são. Não há volta a dar. Agora há que continuar em frente, com a cabeça entre as orelhas. Não adianta chorar sobre leite derramado, aliás quem mais chora menos mija, já dizia a minha avó. Há pessoas que de qualquer coisinha fazem um bicho de sete cabeças mas a vida são dois dias, há que ver as coisas pela positiva.
As coisas são como são. Sempre foram. Sempre serão. Tentamos reverter a ordem natural das coisas para quê? Acabamos por ter de dar o braço a torcer. E perde-se tempo precioso. E, como toda a gente sabe, tempo é dinheiro. Convem lembrar que o dinheiro pode não trazer a felicidade mas ajuda muito. Logo é melhor não fazer ondas. Bater a bolinha baixa que o guarda-redes é anão.
As coisas são como são.
quarta-feira, 3 de junho de 2015
Desconfiança
Grave não é alguém não gostar de nós. O amor é sempre involuntário e aleatório. O desamor não é pessoal, não pode ser.
Grave é a falta de confiança injustificada.
Mas será que podemos recriminar alguém por não confiar em nós? Mesmo que tenhamos a firme convicção de que somos totalmente confiáveis, pelo menos naquele caso concreto. Como esperar que o outro saiba o que nos vai na alma? Alguém se conhece de facto? Alguém nos conhece?
Amor e confiança. Dois ramos que nascem da mesma raiz. Braços paralelos. Simétricos. Semelhantes. Dois ramos igualmente cegos.
Tempo
O vazio é o Tempo. Não começa, não acaba. Existe para sempre, desde sempre. Só.
A vida corre-lhe paralela.
Talvez se tenham tocado no momento inicial.
Talvez se voltem a tocar no fim de tudo.
A vida corre-lhe paralela.
Talvez se tenham tocado no momento inicial.
Talvez se voltem a tocar no fim de tudo.
domingo, 24 de maio de 2015
beijo suicida
um beijo ensurdecedor
como um grito
um beijo que não se cala
um beijo que não obedece
um beijo de língua
afiada
cerdosa
um rugido
um beijo-coice
cavalo
selvagem
um beijo blasfemo
um beijo suicida
como um grito
um beijo que não se cala
um beijo que não obedece
um beijo de língua
afiada
cerdosa
um rugido
um beijo-coice
cavalo
selvagem
um beijo blasfemo
um beijo suicida
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