nos bois
os ferros em brasa
em nós
as palavras
domingo, 17 de maio de 2015
sexta-feira, 15 de maio de 2015
preguiça
![]() |
| O homem assinou a foto, não vale a pena pôr legenda |
Escrever cansa e eu tenho muita preguiça. Mas isso
não é totalmente mau. A minha indolência funciona como um crivo de
auto-censura movido por forças passivas. A maior parte dos
pensamentos que me vêm à cabeça acabam por ir embora sem que me dê
ao trabalho de os anotar. Só os recorrentes, os que são fruto de
uma teimosia enxertada por um coice de alguma mula casmurra e que não
me largam é que me obrigam a deitar mãos à obra. Contrariada,
sento-me então ao computador ou puxo de uma caneta perdida no fundo
de uma mala e de algum talão de compras perdido e rabisco a ideia.
Mais tarde leio. Se for alguma coisa que preste
reescrevo. A maioria vai para o lixo sem sequer guardar os valores
das compras para a minha contabilidade pessoal. Preguiça pura.
elefantes
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| The elephants, Salvador Dali |
a matrona levou o elefante
à loja de antiguidades
o elefante pisou os nenúfares
da cristaleira penhorada
o feiticeiro virou-se contra o feitiço
desmascarando o segredo
a sopa fugiu da panela
e a pedra ia nua
a velhinha ajudou o menino
a atravessar a rua
mas o menino era mais velho
que a bengala da velha
a porta fechada
estava apenas encostada
ao ser empurrada com força
fez cair no alçapão
o intruso desprevenido:
era um elefante
lobos
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| The Gypsy and the Wolf by Random Highjinx |
no início era o sexo
o lobo eriçado
o lombo roliço
o lobo vadio
lombo esfaimado
depois cansando-se
da inclemência da fome
da violência da fartura túmida
cresceu
até ao estiramento irreversível
da profundeza da semente
veio uma força tímida
o lobo vagueava nas ruas da cidade
o lobo vulnerável
de peito aberto às balas
o lobo ovelha
o lobo gazela
o lobo liberado da sua própria pele
no início era o sexo
agora a sede
sulcando uma brecha
em cada porta
onde alça a pata
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Prova dos nódulos
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| knobby Knees, Katherine Moore |
Quando por ti
é por mim
posso provar
por A+P
que poemas sem préstimo
não há
descobertos
os locais secretos
entre o joelho
e a canela
zonas de difícil acesso
proibidos ao incauto turista
reservados ao íncola regular
revela-se o intuito
e o código
cai a máscara
poemas sem préstimo
haverá talvez
cerca de meia dúzia
contam-se
quase
pelos dedos da mão
posso provar-te
os dedos
domingo, 3 de maio de 2015
os gatos
argos
os gatos
não se discutem
bons
maus
arranham
com doçura
ou traição
quer se goste
ou não
gasta-se o tédio
o tempo nunca
é demais
com pulgas
sem
vergonha
gostam do cio
fogem do frio
os gatos não se castigam
quando se querem rir
ronronam
quinta-feira, 30 de abril de 2015
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