domingo, 4 de novembro de 2018

espúria

Gravura de Konstantin Kalynovych



é uma pena meu irmão
executivo
vociferas
alvísseras à execução
sendo eu filha espúria
mordendo-me a mão
segues
desde tenra idade
na era do bruxismo
cedes
já Sansão era capital
esconsa
e cabeleira esquecida
a pesquisa à cadeira
electrica chamada em vão
desejo meu irmão
como pena espúria
Dalila foi idem
danosa capital
consultados documentos
de pitéus e predicados
a última ceia é nula
vazio vai o estômago
para a grande noite
cegos
em cela fundo e escuro
é o poço onde se joga
à bajulação heráldica
no corredor da morte
cresce a urina no chão
os deuses não esperam
tergiversam abundantes
o meu espúrio coração
mordendo menos um dente
rosnas meu irmão
sede
trabalhos humedecem
sebes
morde quem não sabe beijar
servos sempre
olhos no chão









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