segunda-feira, 19 de março de 2018

passageira




como o estrangeiro na terra de Faraó
não sou de cá
de passagem
venho
quarenta anos pelejando
contra os outros povos perdidos
sempre as mesmas ratoeiras de areia
no deserto
(duro é o calo que arranca
a nota à corda da guitarra)
como forasteira no colégio veterinário
saliente e excedentária
mais uma no conjunto de milhares
estrangeira em Trás-os-Montes
ceifada nas frágeis raízes
devolvida ao remetente
por morada desconhecida
como o penetra na terra do lisboeta
passageira
esperando o regresso de paquete
alienada
como o turista no mundo do poeta
caída de pára-quedas, em desgraça
peso quase morto
p'ra lá de pesado no mundo
das corridas do atleta
no final dessa meta
onde estivesse a terra prometida
apenas a certeza do engano
não houve milagre no mar
apenas morte
um acidente
que na família aterrou
fui sempre
de onde não sou


















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